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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Tenha "Um gesto silencioso que se faz ouvir"

Descubri o Matthew e a sua urgente necessidade de ouvir, por acaso, num dia como tantos outros, através da página de Facebook Mercado dos Santos ( uma equipa que entre outras coisas se dedica a causas nobres).

É fácil sermos tocados e entranhados por "histórias" reais menos saudáveis, mais difíceis e às vezes menos felizes. É fácil sermos assolados por sentimentos de pena, compaixão, lástima... É fácil dizermos " Coitadinho(a); Que pena; Que triste; ..." 
E também é fácil esquecer!! porque felizmente não vivemos essa pena, essa tristeza.
Assim tal qual. Uma verdade nua e crua.

O difícil mesmo é sermos tocados, assolados, confrontados por essa compaixão e essa dor momentãnea, e antes de a esquecermos deixarmos a nossa marca. Isso sim, é difícil.
Porque somos egoístas. Porque somos felizes, porque não temos dificuldades. Porque ninguém tem motivos para ter pena e dó de nós.

E não preciso de vir para aqui dizer que devemos ajudar, porque "hoje por ti, amanhã por mim", ou que "não sabemos o que nos espera o futuro", ou que "amanhã pode ser o teu filho ou o teu pai a precisar", ou...!! Não. Não vale a pena. O gesto e a atitude fica com cada um de nós. Gravado na nossa consciência.

Também é certo que todos os dias "nascem" casos novos, sem esquecer os que já existiam, e que é impossível estar e ajudar a todos. Mas, também é certo que se quisermos podemos ajudar, não todos, mas algum, ou alguns...

Não escolhemos o caso do Matt por nada em concreto, foi até pura e feliz (para ele e para a sua família) coincidência que assim tenha sido. Um post no facebook, uma martelada de dor no coração, um evento que ia acontecer, uma ideia do marido e a minha proposta de se ajudar o Matt. Tudo isto para dizer, que o que nós fizemos, todos podem fazer, com esta causa ou com milhentas de outras que existem.

Estávamos a almoçar.
- Vou fazer um encontro/lanche com os colegas da empresa. (o motivo agora não interessa)
- Hum...- Disse eu , em jeito de Continua, enquanto ouvia o que tinha para dizer.
- Vou cobrar xx a cada um, para pagar os gastos, mais yy para ajudar uma instituição. -Acabou ele.
Na minha cabeça fazia contas: xx+yy=xxyy
- Hum...Parece-me bem. Gosto da ideia. Por isso te amo tanto (um pouco de lamechices não faz mal a ninguém, e a verdade é que o amo mesmo, e ainda mais por essa parte TÃO humana que tão bem o caracteriza)
-E já tens alguma instituição em vista? - perguntei eu.
- Sim. Chama-se xxxxxx. - Respondeu ele.
- E não pode ser outra?
- Claro que pode. Tens alguma ideia?
- Sim. Não é bem uma instituição, é mais bem um caso isolado, mas que gostava de contribuir. Um bébé, fofissimo, que não ouve. E os pais estão desesperados por contribuir para a felicidade do filho e esse maldito estado nosso português, apenas comparticipa uma parte e necessitam de 30.000€ para que ao menino possam colocar-lhe os dois implantes cocleares e possa pela primeira vez na vida ouvir a voz dos pais. - respondi-lhe eu.
- Mas não vai ser muito. - respondeu-me ele com um pouco de tristeza na voz.
- Não interessa o quanto, interessa sim o gesto, porque sabemos que se pudessémos ajudariamos mais. - Disse-lhe eu, tentando que ele se sentisse menos triste.
- .... - A conversa  continuou com pormenores que agora não interessam.

Nesse mesmo dia à noite disse-me que já tinha ligado ao pai do Matthew, tinha falado com ele, e lhe tinha dito que iamos ajudar. Pouco mas de boa vontade.
E assim foi.

Na Sexta-feira ao final do dia, fez o seu evento particular, para o qual levou uns documentos que explicavam um pouco a situação do Matt e um cartaz A3 com a foto do bebé. Fez um pequeno discurso, emocionou os colegas e companheiros e desse yy que seria para ajudar, todos se disponibilizaram a dar um zz mais de forma a contribuir para esta causa nobre.

O que significa?
Que se a cada evento, mais ou menos particular, que façamos todos ponhamos um pouco de nós, é possível tornarmos este Mundo num Mundo melhor. Um sítio mais aprazível para se viver e socializar. Porque a felicidade não é exclusiva de ninguém...
Não interessa quantos somos, se 4 ou 50 pessoas. Não interessa quanto damos se 1€ ou 20€. Nada disso importa chegada a hora de sermos melhor pessoas!

Porque o Matthew merece. Porque felizmente existem pessoas assim de humanas e é graças a essas pessoas e ao grande esforço dos invencíveis e inesgotáveis pais do Matthew que este bebé em breve poderá ouvir.

Para conhecer um pouco mais a história do Matt, é AQUI no facebook que o próprio pai criou para o efeito. Poderão encontraram relatos da sua história, formas de ajudar e testemunhos de ajudas.

Tenha " Um gesto silencioso que se faz ouvir".




Fontes:
Texto: Sandra Pereira
Fotos:  Facebook Silente Sculpture